Quero fazer a transição de carreira, e agora?

Por, Libânia Souto - CEO ValorAcrescido



Uma das perguntas que mais temos recebido nos directs e nas aulas é de como fazer a transição de carreira de forma segura e assertiva.


O primeiro passo é saber o porquê. Porquê que a pessoa deseja fazer a transição de carreira.

A maior parte delas apontam para problemas com as lideranças, clima organizacional péssimo e cultura empresarial confusa. Também dizem não veem propósito e sentido no que estão a fazer, que não conseguem visualizar o futuro na empresa e frequentemente apontam questões salariais.


Dos citados, o motivo mais frequente é : sinto-me desmotivado(a), não vejo razão para o meu trabalho, ou seja, a maioria das pessoas que nos procuram para ajudá-las na transição de carreira, entendem que não são felizes no trabalho, pois não está dentro do propósito de vida delas.


O quanto realmente te conheces? O que é que te faz realmente feliz? Qual é o teu porquê? Porquê que acordas todos os dias? São questões importantes quando falamos em transição de carreira.


Seres humanos precisam de trabalhar dentro de um propósito para sentirem-se realizados profissionalmente, acontece porém, que muitas pessoas não têm a sorte de estarem a trabalhar nas coisas que as faz felizes, vários são os motivos que podem levar a isso:


1. Em Angola, durante muito tempo as pessoas escolhiam as profissões com maior chance de empregabilidade, e /ou que estivessem disponíveis nas universidades públicas, sem considerar os próprios interesses pessoais;

2. A ausência de psicopedagogos nas escolas para identificação das habilidades naturais e dos testes vocacionais;

3. Necessidade de ganhar dinheiro;

4. As pessoas investem pouco em autoconhecimento.


Todos estes factores, juntos ou em separado, levaram um grande número de pessoas a exercer actividades com que não se identificam, não exercendo na sua melhor qualidade e adoencendo-as física, mental e emocionalmente.


Porém, a transição de carreira é uma decisão bastante importante, não podes simplesmente jogar fora todos os anos de estudo, de experiência de trabalho e começar do zero sem ter em conta, alguns aspectos:


1. Certeza absoluta do que quer fazer e que está alinhado ao seu propósito;

2. Tomada de decisão madura e consciente sobre o caminho a seguir;

3. Consciência de que ainda que se viva dentro do propósito, os obstáculos sempre existirão;

4. Planeamento financeiro para suportar as despesas que precisar no período de adaptação;

5. Plano de acção.


Entretanto, antes de tudo isso, é necessário saber se é possível agregar a sua actual função ao seu propósito de vida.

A maior parte das pessoas não percebe que as vezes pode cumprir o seu propósito dentro do que já faz.


O meu propósito de vida é ajudar pessoas a terem mais qualidade de vida, através do conhecimento e as técnicas do desenvolvimento humano. Amo pessoas, sempre tive um nível de empátia bastante alto. No entanto, nem sempre eu soube disso! As pessoas até viam em mim, mas eu não conseguia visualizar.


Por isso, era normal, após alguns meses de trabalho, sentir-me desmotivada e querer outro desafio. Até que percebi, na altura era directora de contencioso laboral, numa multinacional, que quando um (a) funcionário(a) fosse falar comigo, ainda que fosse despedido(a), ficava muito calmo(a), consciente e sereno(a). Pois, ainda que inconscientemente, eu adoptava as minhas maiores habilidades humanas, que são a minhas grande fortalezas, usando-as para ajudar homens e mulheres num momento de puro estresse e agónia. A minha função na empresa era coordenar os assuntos disciplinares dos funcionários, mas aliei a ela a minha missão de ajudar pessoas.


Outro exemplo é, se a tua função é de vendedor de telefones e a missão é de ajudar pessoas. Se lembrares que pode ajudar centenas, milhares de pessoas a se conectarem umas as outras, pais e filhos distantes que ficam mais próximos uns dos outros por um aparelho de telefone, certamente darás um significado importante ao teu trabalho e o valor dele será imensurável em satisfação!

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